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Split Payment no SAP: os 2 procedimentos e o que cada um exige do DRC/TDF

2026 é ano de teste; o split começa opcional em 2027, B2B primeiro. Entenda os procedimentos padrão e simplificado, o efeito no caixa e o que muda no seu SAP.

Antes de comparar: quando o split realmente vale

Muito material fala em "as modalidades de split payment em 2026" — e começa errado. Em 2026 o split não está operacional: é ano de teste, com alíquotas simbólicas (CBS 0,9% + IBS 0,1%) e sem recolhimento automático. O split passa a valer de forma opcional a partir de 2027, priorizando operações B2B (entre contribuintes do regime regular), e só depois alcança varejo/B2C.

Mesmo não valendo ainda, a decisão já é problema da sua área fiscal: o procedimento que se aplica à sua operação muda o ciclo de caixa e a parametrização do seu SAP. E não são "4 modalidades", como circula por aí. O Decreto 12.955/2026 (CBS) e a Resolução CGIBS nº 6/2026 (IBS) formalizaram 2 procedimentos, 12 arranjos de pagamento e 2 etapas de implementação.

O que é o split payment na reforma tributária

O split payment é o mecanismo pelo qual o IBS e a CBS serão retidos na liquidação financeira da operação e repassados direto ao Fisco — antes de o dinheiro líquido chegar à conta da empresa. O impacto é mais financeiro que tributário: a parcela do imposto deixa de transitar pela conta da empresa. Acaba o ciclo "recebo do cliente, pago o imposto depois" — o caixa deixa de ser financiado por tributo.

Os apelidos de mercado "split inteligente" e "super inteligente" não são termos legais — são só nomes informais para o procedimento padrão do decreto/resolução.

Os 2 procedimentos regulamentados

Procedimento padrão (o "split inteligente")

O cálculo acontece operação a operação. O sistema de liquidação consulta o valor de IBS/CBS efetivamente devido e retém apenas o líquido — já considerando os créditos do fornecedor —, e não o valor cheio "por fora". É o que dá o apelido de "inteligente": ele não congela mais caixa do que o imposto real da operação.

  • Para quem: é a regra geral; nasce voltado a operações entre contribuintes (B2B).
  • Vantagem: retenção precisa, conformidade quase automática, sem risco de esquecer recolhimento.
  • Custo: depende de integração em tempo de liquidação entre o meio de pagamento, o Fisco e o seu ERP.
  • O que muda no seu SAP: exige o DRC/eDocument determinando o tributo e a posição de crédito no momento da operação; o cockpit fiscal precisa conciliar o valor retido na liquidação com o documento fiscal. Sem essa parametrização, o valor segregado "some" na conciliação.

Procedimento simplificado

Aqui a retenção usa um percentual fixo, pré-definido pelo CGIBS, aplicado sobre a operação — sem calcular o líquido operação a operação. Foi desenhado para operações em que o adquirente não é contribuinte do regime regular, tipicamente varejo/consumidor final (B2C).

  • Para quem: vendas a consumidor final e cenários de alto volume/ticket baixo.
  • Vantagem: simples de operar — percentual único, sem consulta de crédito por operação.
  • Custo: como é aproximado, pode reter a mais ou a menos; o acerto vem na apuração do período.
  • O que muda no seu SAP: menor esforço de integração em tempo real, mas a conciliação posterior entre o retido e o devido tem que estar correta no DRC/TDF — é onde mora o risco de sobra/falta de recolhimento.

Os 12 arranjos e as 2 etapas

O split não entra em todos os meios de pagamento de uma vez. O decreto/resolução listam 12 arranjos de pagamento (boleto; Pix dinâmico, automático, estático e por chave; TED; TEF; cartão de crédito, débito e pré-pago; voucher; e inclusões futuras) e 2 etapas de implementação:

  • Etapa 1 (primeiro): boleto e Pix — o eixo típico do B2B.
  • Etapa 2 (depois): cartões e demais arranjos — o eixo do varejo/B2C.

Ou seja: ao contrário da intuição de que o varejo com cartão vem primeiro, o rollout começa pelo B2B (boleto/Pix) e deixa cartões/B2C para a fase final.

Tabela comparativa — padrão × simplificado

Aspecto Procedimento padrão ("inteligente") Procedimento simplificado
Como calcula Operação a operação, retendo o líquido devido (já com créditos) Percentual fixo do CGIBS sobre a operação
Alvo Regra geral; operações entre contribuintes (B2B) Adquirente não contribuinte regular (varejo/B2C)
Precisão da retenção Alta — bate com o imposto real Aproximada — acerta na apuração
Efeito no caixa Retira só o líquido devido Pode reter a mais/a menos, ajustado depois
Esforço no SAP Alto — DRC integrado à liquidação Menor — percentual fixo + conciliação

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Simulação de fluxo de caixa: dois efeitos que não são a mesma coisa

Muita análise mistura duas coisas diferentes. Vamos separar, com uma empresa de software (serviços), no Lucro Real, receita mensal de R$ 1M.

Efeito 1 — AUMENTO DE CARGA (quanto você paga). Hoje, no Lucro Real, PIS/Cofins não-cumulativo (9,25%) + ISS (~5%) dão algo em torno de ~14% sobre a receita. No regime pleno da reforma, o IBS+CBS "por fora" tem alíquota de referência estimada em 26,5% (teto/estimativa SERT-MF; parte do mercado projeta 27-28%). Para software, que tem poucos insumos creditáveis, a carga sobe de ~14% para perto de 26,5%. Esse aumento vem da mudança de base — não do split. (Empresas no Lucro Presumido ou Simples têm contas diferentes.)

Efeito 2 — FLOAT (quando você paga). Hoje você recebe R$ 1M por volta do dia 5 e só recolhe o tributo por volta do dia 25 — ou seja, o imposto financia seu caixa por ~20 dias. Com o split, a parcela de IBS/CBS é retida já na liquidação. Você perde esse float. No procedimento padrão, retira-se apenas o líquido devido (por volta de R$ 265 a cada R$ 1.000, menos os créditos — na estimativa de 26,5%); no simplificado, retira-se o percentual fixo e acerta-se depois.

A leitura correta: um efeito é quanto imposto (carga, ~14% → ~26,5% no regime pleno, faseado até 2033); o outro é quando (float, ~20 dias de capital de giro que some com o split a partir de 2027). Confundir os dois superdimensiona (ou subdimensiona) o impacto no seu planejamento financeiro.

Cronograma resumido

  • 2026: teste. Campos obrigatórios na nota (rejeição a partir de 03/08/2026), alíquotas simbólicas, sem split operante.
  • 2027: CBS em alíquota cheia (extingue PIS/Cofins); split opcional, começando por B2B (boleto/Pix).
  • 2029–2032: transição ICMS/ISS → IBS; split avança para cartões/B2C.
  • 2033: regime pleno (só IBS + CBS + Imposto Seletivo).

Erro comum: achar que "todo o tributo" vai pelo split

O split se aplica apenas ao IBS e à CBS (consumo). IRPJ e CSLL continuam via guia própria — não mudam. Contribuição previdenciária — não muda. Imposto Seletivo — regra específica. ICMS/ISS na transição (até 2032) ainda existem parcialmente. Só CBS/IBS passam pelo split.

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Cada procedimento cai num cenário diferente — e cada um exige uma configuração distinta no seu SAP (DRC/TDF/S4HANA). A maioria dos ambientes ainda não está parametrizada para nenhum deles, e o rollout B2B começa em 2027.

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Equipe Beetax — consultoria SAP fiscal especializada em DRC, TDF e adequação à Reforma Tributária.

Referências

Próximo da série: simulação numérica do impacto da Reforma no Lucro Presumido.

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